A planta normal
desenvolve-se num ambiente complexo: possui uma parte aérea que sofre os
efeitos da atmosfera e uma parte subterrânea que sofre os efeitos do solo. A
parte aérea recebe a luz solar, calor, O2 e CO2 para a respiraçao e
fotossíntese respectivamente enquanto que a parte subterrânea recebe os
minerais (nutrientes) e água necessários para o desenvolvimento e para a
realização de funções vitais e reprodutivas da planta.
As
condições climáticas e edáficas duma determinada região são aquelas que de
forma muito significativa afectam a natureza e a distribuição da vegetação.
Porém, existem casos em que as condições microclimáticas são determinantes -
exemplo: dois cajueiros que se desenvolvem numa mesma zona, um cresce em sítio sombreado
e outro cresce completamente exposto à luz solar; ainda que as condições
climáticas e edáficas do sítio sejam as mesmas estes dois cajueiros não terão o
mesmo desenvolvimento pois o que cresce sombreado acareta problemas de
limitação de recursos, neste caso - luz. Depois deste exemplo, pode-se ver que
as condições macroclimáticas, ou seja, o clima duma região, apenas descreve a
grosso modo o potencial existente de recursos para o desenvolvimento das
plantas mas não são determinantes. Muitos outros factores influenciadores da
vegetaçao podem modificar o padrão de distribuição em função do clima e solo.
Destes factores o mais importante é o factor humano que introduziu em grande medida,
modificações nos ecossistemas naturais.
Apesar
de a análise que se apresenta neste capítulo centrar-se na vegetação, os
factores do meio afectam os diferentes organismos, incluindo animais de
diferentes níveis tróficos e microorganismos, de tal maneira que estes vão
ocorrer apenas onde as condições lhes sejam favoráveis. Por outro lado, e
porque do ponto de vista de produtividade, as plantas são os produtores primários
e são os organismos superiores com capacidade de sintetizar a sua própria energia
a partir da luz solar e elementos minerais. Os animais (herbívoros e
carnívoros) vão se distribuir na natureza à medida que as plantas criam as
condições a seguir analizam-se alguns factores ambientais que de forma directa
ou indirecta influenciam o desenvolvimento da vegetação.
Luz
A
radiação solar é a principal, senão a única fonte de energia para todo o
processo de vida na terra através da luz para a fotossíntese e energia
calorífica para o aquecimento da terra. A fotossíntese é a fonte de toda a
energia química para os seres vivos na terra para além de ser a maior fonte de
oxigénio da atmosfera - que é usado para o processo de respiração, nao só pelas
plantas mas também por outros seres vivos.
Natureza da radiação solar que chega
à terra
O
sol emite a radiação em vários comprimentos de onda desde a ultra-violeta até a
infra-vermelha. Deste espectro, apenas uma parte é utilizada pelas plantas
verdes para a fotossíntese.
Portanto,
a radiação solar pode variar dum lugar para o outro enquanto a quantidade e
qualidade. Por regra geral os sítios de insidência directa do sol, ou seja, os
sítios em que o ângulo de penetração da radiação solar é recto, a radiação é
maior e vai diminuindo com o aumento o ângulo de penetração.
O
espectro da radiação solar divide-se em três partes: a) ultra violeta; b)
visível e; c) infra-vermelho. A parte de luz visível é a parte que se denomina
LUZ e encontra-se no intervalo entre 0.4 a 0.7 micrómetros começando pela cor
violeta, seguida de azul, verde, amarela, laranja e vermelha respectivamente.
Esta parte, a luz visível, é a que se representa como recurso para as plantas
verdes, ou seja, é a luz visível que é usada no processo fotossintético, por
isso, este intervalo de luz é denominado de Radiação Fotossinteticamente Activa
(RFA).
Do
total de energia transmitida pelo sol apenas uma parte atinge a superfície da
terra. Uma parte é absorvida ou difundida pelas partículas da atmosfera, outra
é reflectida, outra é transmitida pelas plantas. O exemplo mais clássico deste
fenómeno é o da radiaçao ultravioleta que é absorvida pela camada de ozono atmosférico.
Luz que recebem as plantas
Nos sistemas florestais e agroflorestais (de
culturas consociadas), a luz que chega a uma folha pode ser absorvida, reflectida
ou transmitida. A quantidade de luz que alcança um determinado nível de
vegetação vária de quantidade e de qualidade de acordo às condições atmosféricas
e da posição dentro da vegetação em relação a outras plantas. Assim, a luz mostra
variações sistemáticas e previsíveis - as variações diárias e estacionais; e as
variações não sistemáticas e imprevisíveis que dependem do crescimento e
desenvolvimento das plantas vizinham.
Temperatura
A banda infravermelha (ou térmica) da radiação solar
é responsável pela temperatura, daí que muitas vezes a luz esteja relacionada
com a temperatura pelo facto de viajar no mesmo Veiculo. A temperatura é um dos
mais importantes factores que condicionam o desenvolvimento da vegetação. Nos
climas temperados em especial onde o gradiente de temperatura é maior que nas
zonas tropicais este aparece como um dos maiores influenciadores na
distribuição e forma da vegetação. Nas regiões tropicais a temperatura não varia
de forma considerável e mantem-se quase constante ao longo do ano, por isso não
é considerado por alguns autores (Longman e Jenik, 1978) como factor sem importância,
porém, não se deve menosprezar a importância desta, daí que se opta aqui o uso
da seguinte expressao: "a temperatura não é factor limitante para o desenvolvimento
da vegetação nas regiões tropicais".
Água
"Sem água não há vida!"
Este slogan de propaganda de uma companhia de águas
resume todo este capítulo. A água representa um dos recursos básicos para a vida
de todos os seres na terra. Muitas reacções químicas que ocorrem dentro dos
organismos precisam de água como meio de ocorrencia ou como agente
hidrolizante, nas regioes tropicais a principal fonte de água é a precipitação chuvosa,
por isso a análise deste factor será feita na base da análise da distribuição e
frequência da precipitação. Lembrandonos que existe uma variação da precipitação
do equador para os trópicos relacionados com a quantidade anual, distribuição
anual e intensidade, e que este por sua vez é o principal factor climático (nas
regiões tropicais) de variação da vegetação pode-se concluir que a
"água" é o principal factor influenciador da vegetação nas regiões
tropicais.
Ao deslocar-nos do equador para os trópicos diminui a precipitação total,
aumenta a diferença entre o período seco e húmido, aumenta a duraçao do período
seco e aumenta o período de estiagem. O efeito destes factores sobre a
vegetaçao é que na zona equatorial vamos encontar vegetaçao sempre verde
(florestas) muito diversificada em espécies porque não há um período seco propriamente
dito. Nos trópicos já se verifica um certo período de pouca precipitação o qual
se manifesta na vegetação pelo aparecimento de formações vegetais semidecíduas
a decíduas de pouca altura e pouca diversidade de espécies. Nas regiões subtropicais
o período seco3 chega a atingir os 8 meses por ano podendo suportar formações vegetais
de florestas xerófilas, florestas abertas, savanas e prados










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